Campos do CRM: como decidir o que coletar e o que manter
Cada campo do cadastro deveria apoiar uma decisão. Veja como revisar os campos do CRM com a equipe, combinar o preenchimento e enxugar sem perder histórico.
Prospect IO
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Um campo do CRM só se justifica quando alguém usa aquela informação para decidir alguma coisa. Antes de criar um campo novo ou de manter um antigo, pergunte quem vai usar o dado e para qual decisão. Se ninguém sabe responder, reveja a coleta; se o campo importa, combine como preencher e quando atualizar.
O custo de um cadastro que pede tudo
Exemplo ilustrativo: uma loja de móveis planejados tem 32 campos no cadastro de orçamento. Estão lá profissão, estado civil, data de nascimento, renda aproximada, como conheceu a loja, ambientes de interesse, metragem, data prevista de entrega do imóvel e arquiteto que indicou. Metade é obrigatória, porque um dia alguém achou que seria útil.
Na prática, a vendedora preenche o obrigatório com o que destrava o botão de salvar: "outros", "não informado", "01/01/1990". Os campos que ajudariam de fato, como a data de entrega do imóvel, ficam vazios, perdidos no meio do formulário. Quando o dono pergunta quais clientes vale a pena procurar esta semana, o relatório não responde.
Campo sobrando tem custo, mesmo que ninguém veja. Imagine 30 segundos por campo inútil, dez campos inúteis e 150 cadastros por mês: são 750 minutos, mais de 12 horas de digitação que ninguém lê. Some a isso a atenção de quem procura a informação certa no meio do resto e, quando o dado é pessoal, a responsabilidade de guardá-lo.
Cada campo responde a uma pergunta de decisão
Pense no painel do carro. Ele mostra velocidade, combustível e temperatura do motor porque cada um desses números leva a uma ação: tirar o pé, abastecer, parar no acostamento. Ninguém coloca no painel a cor do estofado, embora ela seja uma informação verdadeira sobre o carro.
O cadastro do CRM funciona melhor com a mesma lógica. Cada campo deveria completar a frase: "Com esta informação, [quem] decide [o quê], [quando]". No exemplo da loja, a revisão ficaria assim:
| Campo | Quem usa | Decisão que apoia | Quando atualizar |
|---|---|---|---|
| Data prevista de entrega do imóvel | Vendedora | Quando retomar o contato | Na primeira conversa e a cada retorno |
| Ambientes de interesse | Projetista | Quem faz a visita técnica | Na qualificação |
| Como conheceu a loja | Dono | Onde investir em divulgação | No cadastro |
| Arquiteto que indicou | Dono e vendedora | Com quem reforçar a parceria | No cadastro |
| Profissão | Ninguém sabe dizer | Nenhuma identificada | Candidato a sair |
Nem todo campo que fica é de decisão. Alguns servem para operar: telefone, endereço da obra, e-mail para mandar o projeto. Outros guardam um histórico que a empresa precisa manter, como pedidos fechados e condições combinadas. A revisão separa quatro grupos: campos de decisão, de operação, de histórico e sem dono.
O formato também conta. Um campo que alimenta decisão precisa de opções fechadas. Se "como conheceu" é texto livre, a mesma origem aparece escrita como "indicação", "indicacao" e "indic.", e o relatório mostra três origens onde deveria haver uma só.
Passo a passo para revisar os campos com a equipe
Faça a revisão com quem trabalha nos registros. Quem preenche sabe qual campo atrasa o atendimento; quem usa sabe qual campo falta na hora de decidir.
- Liste os campos e veja o preenchimento. Pegue os últimos 50 cadastros e conte, campo a campo, quantos estão vazios ou com "outros". Campo quase sempre vazio costuma indicar que ninguém precisa dele ou que ele está no momento errado da venda.
- Reúna quem preenche e quem usa: vendedores, atendimento, gerente e, se for o caso, financeiro. Uma reunião de 45 minutos costuma dar conta de um cadastro médio.
- Faça as três perguntas para cada campo. Quem usa? Para qual decisão? Quando precisa ser atualizado? Escreva as respostas numa coluna ao lado do nome do campo.
- Classifique cada um como decisão, operação, histórico ou sem dono. Na dúvida, o campo fica como "sem dono" até alguém assumir.
- Combine a regra dos campos que ficam: opções fechadas, formato de data, diferença entre "não informado" e "não perguntei", quem preenche e em qual momento da venda.
- Pare de pedir antes de apagar. Tire do formulário de cadastro novo os campos sem dono e mantenha os dados antigos guardados. O destino deles se decide depois, seguindo as regras da empresa.
- Marque a próxima revisão. Daqui a dois ou três meses, confira se os campos que ficaram estão sendo preenchidos e usados.

Antes de criar um campo novo
Pedidos de campo novo aparecem toda hora: o sócio quer saber o tipo de imóvel, alguém do marketing quer a data de aniversário. Use a mesma régua na entrada. Um pedido que não consegue preencher o modelo abaixo ainda não está pronto para virar campo.
Pedido de campo novo
Nome do campo: [ ]
Quem vai usar: [ ]
Para qual decisão: [ ]
Formato: [lista de opções / data / número / texto curto]
Quem preenche e em que momento: [ ]
Quando atualizar: [ ]
Se ficar vazio, o que deixa de acontecer: [ ]
A última linha é a mais reveladora. Se a resposta for "nada", o campo não precisa existir.
Veja a régua aplicada a um pedido hipotético na loja do exemplo. O sócio quer o campo "tipo de imóvel" para decidir se vale montar um ambiente decorado voltado para apartamentos compactos. Ele mesmo vai usar a informação, que entra como uma lista de quatro opções, preenchida pela vendedora no primeiro atendimento.
Se o campo ficar vazio, a decisão sobre o ambiente decorado continua no palpite. O pedido passou na régua e virou campo.
Limites e armadilhas da limpeza
Enxugar não é apagar tudo o que parece antigo. Histórico de compras, motivo de perda e condições combinadas podem ser exatamente o que alguém vai precisar na próxima negociação. Antes de excluir dados, siga as regras da empresa e consulte quem responde pela contabilidade, pelos contratos ou pela proteção de dados.
Dado pessoal merece cuidado extra. Se ninguém consegue dizer para que serve a data de nascimento ou o estado civil do cliente, coletar isso só aumenta o que a empresa precisa proteger. A Lei Geral de Proteção de Dados tem a finalidade e a necessidade entre os seus princípios, e um cadastro enxuto facilita respeitar os dois.
Tornar um campo obrigatório também não melhora o dado. Muitas vezes só faz a pessoa escolher a primeira opção da lista para conseguir salvar. Deixe obrigatório apenas o que, se faltar, trava a próxima etapa da venda.
Campo de observação livre continua tendo lugar. Ele guarda o que não cabe numa opção fechada, como a frase do cliente sobre o atraso da obra. Só não serve de base para relatório nem para filtro.
E nenhuma revisão vale para sempre. Se a loja começar a vender para construtoras, vai precisar de campos que hoje não fazem sentido. O importante é que cada campo novo entre com dono e decisão definidos.
Revise um campo da sua base esta semana
Você não precisa reformar o cadastro inteiro de uma vez. Escolha um campo, de preferência obrigatório e quase sempre preenchido com "outros", e faça as três perguntas na próxima reunião de equipe. Saia dela com uma decisão: o campo ganha regra nova, ganha um dono ou sai do formulário.
Se você ainda controla os leads numa planilha e pensa em migrar para um CRM, faça essa revisão antes. A ProspectIO, por exemplo, importa leads de planilha, e levar só as colunas que passaram nas três perguntas deixa o funil limpo desde o primeiro dia.
Escrito por
Prospect IO
Conteúdo da equipe ProspectIO sobre prospecção, automação e vendas B2B — o que aprendemos ajudando pequenas e médias empresas a montar sua máquina comercial.
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